Sinto-me a Desaparecer Devagar

 

Sinto-me a Desaparecer Devagar

Há dias em que me sinto a desaparecer devagar,  
não por querer partir,  
mas porque o mundo pesa mais do que devia.  

É como se a luz dentro de mim  
tremesse ao vento,  
uma chama cansada  
a pedir abrigo.  

Não morro —  
apenas me escondo,  
apenas me encolho,  
apenas me perco por instantes  
nas sombras que me visitam.  

Mas mesmo assim,  
há sempre um fio de calor,  
um sopro teimoso,  
um resto de mim  
que insiste em ficar.  

E é nesse pequeno brilho  
que encontro força:  
não para desaparecer,  
mas para voltar,  
devagar,  
à superfície de mim mesma.

 

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