As folhas caíam devagar,
como pequenos suspiros do outono,
e o lago guardava um brilho de cobre
sob o céu que se tornava melancolia.
Dois cisnes deslizavam juntos,
lentos, serenos,
como se o mundo inteiro fosse apenas
a dança branca que unia seus corpos.
A água abria caminhos suaves para eles,
fechando-se logo depois
como quem protege um segredo antigo.
À margem, a mulher observava.
Seus olhos seguiam o casal de cisnes
com uma ternura que o vento compreendia.
Folhas douradas pousavam em seus cabelos,
outras caíam ao redor,
criando um círculo de silêncio e encanto.
Ela não sabia se admirava os cisnes
ou a própria sensação de espera
que o outono trazia consigo.
Mas ali, entre folhas que morriam
e amores que flutuavam,
o tempo parecia respirar mais devagar.
E o lago — espelho de tudo —
guardava a cena como quem sabe
que certos instantes
não voltam,
mas permanecem.

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