O outono chega devagar,
como quem não quer acordar as folhas —
e ainda assim, elas dançam,
num adeus dourado que não dói.
Há um silêncio quente no ar,
um murmúrio de histórias antigas
que o vento carrega pelas ruas,
como cartas que nunca foram enviadas.
As árvores despem-se sem vergonha,
sabem que a beleza também vive
no que se perde,
no que cai,
no que se transforma.
E eu, ao ver o mundo mudar de cor,
penso em ti —
no jeito como teu olhar
faz o tempo ficar mais lento,
como se cada folha que cai
fosse um suspiro teu.
Outono é promessa de renascer,
mas também é abraço,
é chá quente,
é pele que procura outra pele
para não esquecer que o frio
pode ser doce
quando há alguém para dividir.

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